Em 27 de janeiro de 2026, o
Food and Drug Administration (FDA) aprovou a formulação subcutânea
daratumumabe e
hialuronidase (
daratumumabe SC) em combinação com
bortezomibe,
lenalidomida e
dexametasona (VRd) para o tratamento de pacientes adultos com mieloma múltiplo recém-diagnosticado inelegíveis ao transplante autólogo de células-tronco (TACT). A decisão regulatória amplia o uso do anticorpo monoclonal anti-CD38 nesse cenário específico, considerando a necessidade de regimes eficazes e viáveis para pacientes que não podem se submeter ao transplante como parte da terapia inicial.
A eficácia e a segurança da combinação foram avaliadas no estudo clínico
CEPHEUS, um ensaio aberto, randomizado e controlado com comparador ativo, que incluiu pacientes com mieloma múltiplo recém-diagnosticado inelegíveis ao TACT ou que recusaram o procedimento como terapia inicial. No total, 395 pacientes foram randomizados para receber
daratumumabe SC-
VRd (n=197) ou
VRd isolado (n=198). Os principais desfechos de eficácia foram a taxa global de negatividade da doença residual mínima (MRD) e a sobrevida livre de progressão, avaliados por comitê de revisão independente segundo os critérios do
International Myeloma Working Group. A mediana de idade foi de 70 anos e 50% dos participantes eram do sexo masculino. Em relação ao estadiamento pela classificação ISS, 34% apresentavam doença em estágio I, 38% em estágio II e 28% em estágio III. Citogenética de alto risco (presença de del(17p), t(4;14), t(14;16)) foi identificada em 13% dos pacientes.
A taxa de MRD negativa foi de 52,3% no braço com
daratumumabe SC versus 34,8% no braço controle (p=0,0005), enquanto a sobrevida livre de progressão também favoreceu a combinação experimental (HR=0,60; IC de 95%: 0,41-0,88; p=0,0078). O perfil de segurança incluiu alertas para reações de hipersensibilidade e relacionadas à administração, infecções, neutropenia, trombocitopenia, toxicidade embriofetal, interferência em testes de compatibilidade sanguínea e toxicidade cardíaca em pacientes com amiloidose AL. Os eventos adversos mais comuns (≥ 20%) foram infecção do trato respiratório superior, neuropatia sensorial, dor musculoesquelética, diarreia, fadiga, edema,
rash cutâneo, disfunção motora, COVID-19, constipação, distúrbio do sono, tosse, pneumonia, comprometimento renal, tontura, náusea, infecção do trato urinário, febre, dor abdominal, dispneia, redução do apetite e equimoses.
A posologia recomendada de
daratumumabe SC é de 1.800 mg de
daratumumabe associados a 30.000 unidades de
hialuronidase, administrados por via subcutânea, conforme o esquema aprovado em bula, em combinação com
bortezomibe,
lenalidomida e
dexametasona nas doses e frequências padronizadas.