Editores da série MOC Antonio C. Buzaid - Fernando C. Maluf - Carlos H. Barrios
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Editor-convidado Caio Max S. Rocha Lima
Em 16 de junho de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) concedeu registro à combinação oral de talazoparibe, um inibidor de PARP, com enzalutamida para o tratamento de pacientes adultos com câncer de próstata metastático resistente à castração (CPRCm), independentemente do status de mutação em genes de reparo por recombinação homóloga (HRR). Trata-se do primeiro regime combinado com inibidor da PARP a demonstrar benefício comprovado em sobrevida global aprovado no Brasil para primeira linha de CPRCm. O aval regulatório baseou-se nos resultados atualizados do estudo de fase III TALAPRO-2, que incluiu 805 pacientes com CPRCm para receberem tratamento de primeira linha neste cenário de doença com a combinação de talazoparibe + enzalutamida (N=402) ou placebo + enzalutamida (N=403). A idade mediana foi 71 anos (33% com ≥ 75 anos), aproximadamente 22% haviam recebido docetaxel e 5% abiraterona no cenário sensível à castração. Dados atualizados da análise final de sobrevida global demonstram benefício da combinação de talazoparibe e enzalutamida versus placebo com enzalutamida (HR=0,796; IC de 95%: 0,661-0,958; p=0,0155), com medianas de 45,8 e 37,0 meses, respectivamente. Análises de subgrupos pré-especificados demostraram um benefício com magnitude ainda maior em pacientes deficientes em HRR (HR=0,542; IC de 95%: 0,361-0,814). Dados atualizados de sobrevida livre de progressão radiográfica continuam a favorecer a combinação de enzalutamida com talazoparibe em comparação ao placebo (HR=0,667; IC de 95%: 0,551-0,807; p<0,0001), com medianas de 33,1 e 19,5 meses, respectivamente. Os eventos adversos mais comuns no braço que recebeu o inibidor da PARP foram hematológicos, destacando-se anemia de grau ≥ 3 em 49 % dos pacientes, entretanto, apenas 8,5 % descontinuaram talazoparibe por anemia, manejada principalmente com redução de dose ou suporte transfusional. As taxas de toxicidade limitante permanecem baixas com seguimento adicional, sem novos sinais de segurança.

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