Editores da série MOC Antonio C. Buzaid - Fernando C. Maluf - Carlos H. Barrios
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Editor-convidado Caio Max S. Rocha Lima
O Food and Drug Administration (FDA) aprovou, em 04 de dezembro de 2025, o uso de lisocabtagene maraleucel para o tratamento de adultos com linfoma da zona marginal (LZM) recidivado ou refratário após pelo menos duas linhas prévias de terapia sistêmica. A aprovação contempla pacientes com doença avançada e representa uma necessidade terapêutica não atendida, incluindo aqueles que apresentaram recidiva após transplante de células-tronco hematopoéticas (TCTH). A eficácia foi avaliada no coorte TRANSCEND FL-MZL, um estudo multicêntrico, aberto e de braço único, que incluiu adultos com LZM recidivado ou refratário, ECOG ≤ 1, tratados com duas ou mais linhas sistêmicas prévias (incluindo um anticorpo anti-CD20 e um agente alquilante) ou com recidiva após TCTH. Era necessária a confirmação de expressão de CD19 em pacientes previamente tratados com terapia anti-CD19. Fora excluídos pacientes com taxa de filtração glomerular ≤ 30 mL/min, transaminases séricas > 5 vezes o limite superior, disfunção ventricular com fração de ejeção < 40%, linfoma transformado, infecção ativa ou grave, doença autoimune necessitando imunossupressão ou patologia neurológica do sistema nervoso central. Os dados demográficos e as características da doença dos 77 pacientes que foram submetidos à leucoaférese foram os seguintes: a idade mediana foi de 64 anos e 61% eram do sexo masculino. Trinta e sete pacientes (48%) apresentavam LZM nodal, 19 (25%) apresentavam LZM extranodal/tecido linfoide associado à mucosa (MALT) e 21 (27%) pacientes tinham LZM esplênico. O número mediano de terapias sistêmicas anteriores foi 3, sendo que 43% receberam 2 linhas prévias, 23% receberam 3 linhas prévias e 34% receberam ≥ 4 linhas prévias. Setenta e nove por cento receberam bendamustina, 20% receberam rituximabe com lenalidomida, 9% receberam zanubrutinibe previamente e 14% dos pacientes tinham histórico de TCTH autólogo. Oitenta e sete por cento dos pacientes apresentavam doença em estágio III-IV na entrada do estudo, 23% tinham doença volumosa, 35% apresentaram progressão em até 6 meses do esquema mais recente e 33% apresentaram progressão em até 24 meses do início da quimioimunoterapia de primeira linha com anticorpo anti-CD20 e agente alquilante (POD24). Um total de 77 pacientes submetidos à leucoaférese compôs a população por intenção de tratar, sendo que 66 pacientes tratados preencheram critérios para a análise principal de eficácia, incluindo doença mensurável por tomografia computadorizada e seguimento mínimo de nove meses. O desfecho primário foi a taxa de resposta global, definida como resposta completa ou parcial segundo os critérios de Lugano, avaliada por comitê independente. A taxa de resposta global foi de 84,4%, com taxa de resposta completa de 55,8%. A mediana da duração de resposta não foi alcançada. Eventos adversos graves ocorreram em 53% dos pacientes. Os eventos adversos graves não laboratoriais mais comuns (> 2%) foram síndrome de liberação de citocinas (CRS), estado confusional, febre, encefalopatia, alterações do estado mental, derrame pleural, infecção do trato respiratório superior e diminuição do apetite. Eventos adversos fatais ocorreram em 4,5% dos pacientes. Os eventos adversos não laboratoriais mais frequentes (≥ 20%) foram CRS, fadiga, dor musculoesquelética, encefalopatia, edema, dor de cabeça e diminuição do apetite. O lisocabtagene maraleucel é administrado em dose única dois a sete dias após quimioterapia linfodepletora com fludarabina e ciclofosfamida por três dias consecutivos. A dose recomendada é de 90 a 110 × 10⁶ células T viáveis CAR-positivas, com proporção 1:1 dos componentes CD4 e CD8.

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