Editores da série MOC Antonio C. Buzaid - Fernando C. Maluf - Carlos H. Barrios
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Editor-convidado Caio Max S. Rocha Lima
Em 17 de dezembro de 2025, o Food and Drug Administration (FDA) aprovou o inibidor de PARP rucaparibe para o tratamento de pacientes adultos com câncer de próstata metastático resistente à castração (CPRCm) associado a mutação deletéria em BRCA (germinativa e/ou somática), previamente tratados com antiandrogênicos de nova geração (ARPI). Essa decisão converteu em aprovação regular a autorização acelerada concedida em 2020 para uma indicação semelhante, após a confirmação de benefício clínico. A eficácia foi avaliada no estudo TRITON3, um ensaio clínico randomizado, aberto, de fase III, que incluiu 405 pacientes com CPRCm previamente tratados com ARPI e sem quimioterapia prévia no cenário resistente à castração. Desses, 302 apresentavam mutação em BRCA e 103 mutação em ATM. Os pacientes foram randomizados na proporção 2:1 para receber rucaparibe ou tratamento à escolha do investigador (incluindo enzalutamida, abiraterona ou docetaxel). O desfecho primário foi a sobrevida livre de progressão radiográfica (SLPr), avaliada por revisão independente. Dos 302 pacientes com doença BRCAm, a idade mediana foi de 69 anos e o status de desempenho ECOG basal era 0 (49%) ou 1 (51%). Quarenta por cento dos pacientes apresentavam doença restrita aos ossos, enquanto 32% tinham doença visceral. No cenário sensível à castração metastático, 23% dos pacientes haviam recebido docetaxel. Entre os pacientes com doença BRCAm, 40 tinham mutações em BRCA1 e 262 em BRCA2. Entre os pacientes com mutação em BRCA, a mediana de SLPr foi de 11,2 meses com rucaparibe versus 6,4 meses com o tratamento de escolha do médico (HR=0,50; IC de 95%: 0,36-0,69; p < 0,0001). A sobrevida global mediana foi de 23,2 e 21,2 meses, respectivamente, sem diferença estatisticamente significativa. A taxa de resposta em pacientes com doença mensurável foi superior no tratamento com o inibidor da PARP (45,1% versus 17,1%). Análises exploratórias indicaram ausência de benefício relevante em pacientes com mutação em ATM, sugerindo que o efeito observado na população global foi predominantemente impulsionado pelos pacientes com mutação em BRCA. Eventos adversos graves ocorreram em 27% dos pacientes que receberam rucaparibe. Os eventos adversos mais comuns (≥ 10%) em pacientes que receberam rucaparibe foram fadiga/astenia, dor musculoesquelética, náusea, redução do apetite, diarreia, constipação, vômito, dispneia, disgeusia, edema, dor abdominal, tontura, perda de peso, rash, cefaleia, neuropatia periférica, reação de fotossensibilidade e infecção do trato urinário. A dose recomendada de rucaparibe é de 600 mg por via oral, duas vezes ao dia, com ou sem alimentos, totalizando 1.200 mg diários, devendo o tratamento ser mantido até progressão da doença ou ocorrência de toxicidade limitante. Ajustes de dose podem ser necessários de acordo com a tolerabilidade e o perfil clínico do paciente, conforme descrito em bula.

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